O APÓSTOLO PAULO

Saulo - O cruel perseguidor.

Paulo - O estadista zelador

1. PASSADO

Neste ponto, estamos mais limitados do que acera dos anos posteriores de Paulo. Do nascimento de Paulo até o seu aparecimento em Jerusalém, como perseguidor dos crentes, temos apenas informações muito esparsas. Sabemos que ele nasceu em Tarso, cidade não insignificante (Atos 21.39), descrição essa que tem sido confirmada pelas escavações arqueológicas de Sir William Ramsay. Naquele tempo Tarso (na Cilícia) foi incorporado à província da Síria. Tarso, por essa época, já tinha história antiga, e fora cidade importante por muitos séculos antes da era cristã.

1.1 NASCIMENTO:

Paulo nasceu como cidadão romano, provavelmente porque o seu pai também já era cidadão romano. Ao nascer, o menino recebeu o nome de Saulo, provavelmente devido ao rei Saulo, mas é provável que também fosse chamado Paulo como cognome latino. Paulo significa pequeno e isso pode ter-se dado devido ao fato de que seus pais o chamavam de “pequerrucho”; mas também é possível que ele tenha recebido o nome de Paulo, simplesmente por ter som semelhante ao nome de “Saulo”. Também é possível que o apóstolo tivesse um nome romano; mas, nesse caso, não deve tê-lo usado com freqüência, porquanto não temos nenhuma informação sobre qual seria esse nome. Á alteração posterior de seu nome, de Saulo para Paulo, mui provavelmente foi apenas à adoção de seu apelido como nome próprio. Não se sabe qual o ano de seu nascimento; porém, quando do apedrejamento de Estevão (que ocorreu por volta de 32 d.C.), lemos que Saulo era um jovem. É razoável supor, por conseguinte, que ele tenha nascido na primeira década do século l d.C., sendo, assim, um contemporâneo mais jovem de Jesus, embora não haja qualquer evidência de que ele tenha visto alguma vez ao Senhor. E não é mesmo provável que o tenha visto, pois Paulo jamais e refere ao fato.

1.2 APARÊNCIA:

As passagens de I Co 2.3 e II Co 10.10 indicam que a aparência física de Paulo não era impressionante, e a descrição que há sobre ele, no livro apócrifo Atos de Paulo e Tecla, concorda com esse ponto de vista: “E ele viu Paulo que se aproximava, um homem baixa estatura, quase calvo, pernas tortas, de corpo volumoso, sobrancelhas unidas, um nariz um tanto adunco”.

1.3 FAMÍLIA:

Os genitores de Paulo eram judeus muito religiosos, pertencentes à seita dos fariseus, ou, pelo menos, fortemente influenciados por esse grupo; e pertenciam à tribo de Benjamim. Nada se sabe acerca da ocupação do pai de Paulo, e nem mesmo sabemos qual era o seu nome. Jerônimo cita uma tradição que assevera que a família de Paulo viera originalmente da Galiléia, e que dali migrara para Tarso. Se essa tradição Express a verdade, então o fato de que eram cidadãos romanos mostra que essa imigração tivera lugar em tempo considerável antes do nascimento de Paulo. De conformidade com o livro de Atos, Paulo tinha uma irmã que vivia em Jerusalém (Atos 23.16), mas não há menção de qualquer irmão.

1.4 PROFISSÃO:

 

 

O próprio Paulo aprendera uma profissão, provavelmente em Tarso, a de fabricante de tendas (Atos 18.3), posto que era costume entre os judeus ensinar aos filhos alguma profissão. Alguns acreditam que ele era bem instruído na cultura, na estética e na filosofia grega e romana (à base de textos como Atos 22.3 e 26.4,17). Mas outros, alicerçando-se em Atos 22.3 e 26.4, procuram mostra que a permanência de Paulo em Tarso, quando menino, deve ter sido muito breve, porquanto ele mesmo diz que se criara em Jerusalém. O treinamento de Saulo, quanto à sabedoria profana, mui provavelmente incluiu a educação filosófica normal, a retórica e a matemática, sem falarmos em seus estudos sobre a religião judaica (Atos 22.3; 26.4 e diversas referências, em suas epístolas, a questões como coroas, jogos atléticos, lutas, etc., o que também servia de principais ilustrações entre os filósofos estóicos para ilustrar os princípios éticos). O fato é que o grego utilizado por Paulo, em suas epístolas, é uma excelente variedade do grego literário “Koiné”, o que nos mostra quão bem alicerçada for a sua educação na linguagem, além de ficar demonstrado o fato de que ele falca o grego como seu idioma nativo, provavelmente do mesmo modo que o hebraico (isto é o aramaico).

Em Gálatas 1.14, mostra que ele era indivíduo intensamente religioso, desde a juventude. Costumava freqüentar regularmente as sinagogas judaicas, antes de sua conversão e quando já atingira idade suficiente, tornou-s seguidor fiel do farisaísmo. Esse versículo também indica que, mui provavelmente, ele era o jovem que mais se destacava em Jerusalém, sendo grande a sua fama como homem de grande zelo religioso. Sabemos também que ele estudou como famosíssimo rabino fariseu, Gamaliel (Atos 5.34 e 22.3 e o artigo sobre ele). A erudição maior de Paulo fora adquirida em Jerusalém, naquela escola de fariseus, o que também contribui com algo para explicar o caráter geral de sua vida e de suas crenças, alicerçadas firmemente no judaísmo tradicional.

2. CONVERSÃO E MINISTÉRIO

Intensa discussão se tem centraliza em redor das razões psicológicas por detrás de sua conversão a Cristo.

2.1 CONVERSÃO DE SAULO:

Talvez tenha ocorrido por volta de 35 d.C. Após sua conversão, Paulo passou 15 dias com Pedro de Damasco. A história da conversão de Saulo de Tarso é narrada em três lugares do livro de Atos (Atos 9.3-19; 22.6-21 e 26.12-18), havendo algumas variações quanto às minúcias, o que nenhuma pessoa sensata pode negar, ante a simples leitura dessas passagens (ver nota sobre estas diferenças, Atos 22.6 no NTI). É possível que o próprio Paulo, ao narrar a história, inconscientemente tenha variado um tanto o seu conteúdo.

MISSÃO A GALÁCIA

Onde há tantas alternativas é bem-vinda qualquer coisa que nos ajude. Em Gal 1.6 Paulo se admira de que tão depressa estejais desertando, daquele que chamou na graça de Cristo, para outro evangelho. Mas aqui também não sabemos qual é a norma de Paulo, ao comparar tão depressa, e nem qual a visita que determino o ponto de partida. Tudo que sabemos é que, dentro de poucos anos da última visita de Paulo aos gálatas, este estavam desertando, dele e do seu evangelho da graça, para os rudimentos fracos e pobres do mundo (Gal 4.9). A atmosfera doutrinária das duas epístolas é a mesma. De fato, não é difícil ouvir o eco de II Co em Gal. Os golpes pesados que tanto bem produziram em Corinto são agora dirigidos a Galácia. Paulo havia tocado no assunto da controvérsia judaizante que havia tido lugar mais ou menos no tempo da conferência em Jerusalém, mas é difícil pensar que a situação na Galácia houvesse se desenvolvido do modo como a encontramos na epístola. Com alguma hesitação, portanto, colocamos Gálatas logo no princípio dos três meses1 que Paulo passou na Grécia. No outono de 57 (ou 56) d.C., então, quando Paulo chegou a Corinto, podemos supor que mensageiros haviam chegado da Galácia para contar a história da deserção dos gálatas.

A situação era realmente triste. Eles ficaram fascinados por algum encantador entre os judaizantes (Gal 3.1). Gostaríamos de saber quem era esse homem. No começo, os gálatas haviam tratado Paulo como se fora um Anjo (4.14) e até estiveram prontos a arrancar os olhos, para dá-los (estaria sofrendo da vista?). Mas agora consideravam-no como inimigo porque ele lhes dizia a verdade. Eles tinham seguido após um evangelho falso, o qual não era evangelho (1.7). Tinham decaído da graça e voltado para o jugo da lei (5.3 e s). Estavam correndo bem, até que chegou esse impedidor. Agora os gálatas haviam passado em grande parte par o judaísmo, no tocante à observância de dias e festas judaicas. Paulo receava que seu trabalho tivesse sido em vão (4.11). Estes mesmos judaizantes não guardavam a lei que haviam posto no pescoço dos gentios (6.13). Paulo pronunciou um anátema sobre estes pervertedores do evangelho (1.8 e s.). Não queria favores humanos numa questão desta natureza, este apóstolo que era tudo para todos, para de todo qualquer modo salvar alguns. É deveras forte a acusação feita aqui pôr Paulo e que revela o sucesso dos judaizantes desde que ele ali estivera. Bem revela também o que teria sido o destino de Corinto, se Paulo não tivesse entrado de toda a alma naquela luta. A deserção, pôr parte dos gálatas, entretanto, causou espanto a Paulo além do que se pode medir(4.9). Eram gentios e já haviam provado a liberdade em Cristo.

Paulo muda o tom de invectiva para o de súplica apaixonada (4.19 e s.). Bem podia ele avaliar a escravatura do farisaísmo, pois uma vez estivera debaixo daquele jugo. Aos gálatas trata de “filhinhos meus“ e deseja vê-los outra vez, e muda de tom. De novo sente as dores de parto pôr ele. No entanto, roga-lhes que fiquem firmes na liberdade que Cristo lhes havia dado, e que não se sujeitem de novo a um jugo de escravidão (5.1). Ele não quer dizer libertinagem, e, sim, liberdade (5.13). Toma até da pena e do próprio punho lhes escreve um resumo final, em grandes letras (6.11). Termina com um pedido para eu dali em diante ninguém o molestasse mais. O direito de exigir se este respeito ele o tinha, pois trazia em seu corpo as marcas de Jesus (6.17). Em perigo passar a muitas vezes em rol de Cristo. Poderoso era o pedido, e deveria Ter produzido um resultado imediato. Pode-se supor eu, como os judaizantes foram expulsos de Corinto, assim também foram repelidos da Falácia, pôr esta polêmica poderosa. Ele enfrentou uma grande crise e a solucionou. As genuinidade manifesta da epístola tornou-se um baluarte da fé hoje em dia. O âmago do evangelho está nesta epístola. É ela uma exposição permanente da vida espiritual, opondo-se ao mero cerimonialismo de lado e á via licenciosa e imoral de outro. A nota dominante aqui é a da realidade, a de uma fé viva, que mostra as suas obras como prova de ela ser verdadeira. O apóstolo tinha que vindicar o seu direito de falar aos gálatas com autoridade (caps. 1 e 2). Então lhes expões o seu evangelho (caps. 3 e 4) e os exorta a permanecerem fiéis a este evangelho de liberdade e de vida (caps. 5 e 6).

O CONCILIO EM JERUSALÉM

Foi convocada uma reunião geral (Atos 15.4) para ouvir-se a história de Paulo e Barnabé. Sabiam ele contá-la e ela produziu efeito maravilhoso sobre o auditório. Ficou claro que igreja em Jerusalém sancionava a obra de Deus feita pelas mãos de Paulo e Barnabé. Mas os do partido farisaico não se iriam rende sem luta. Estes “levantaram-se, dizendo que era necessário circuncidá-los (os gentios) e mandar-lhes observar a lei de Moisés“ (Atos 15.5). Seria presunção opor-se a estes irmãos intensamente ortodoxos. Sentaram-se. Decerto alguém deve Ter proposto o encerramento da sessão, aliás, um medida parlamentar que se torna muito útil às vezes. Talvez Tiago tenha suspendido a sessão, para o almoço, ou pronunciado a bênção apostólica. No versículo 6 lê-se que “congregaram-se… Para considerar este assunto“, uma referência a uma Segunda reunião. Mas a questão tornou-se aguda em Jerusalém. Que faria Paulo gora? Ele mesmo no-lo declara.

Provavelmente ele convocou uma reunião dos apóstolos presentes em Jerusalém com os presbíteros, os membros principais na igreja. Ele não queria altercação indecorosa com estes judaizantes em público. Apenas isso. Já lhes dissera de Antioquia o que pretendia. Pedro, João e Tiago, em particular, eram os homens a quem ele queria falar. Se ele pudesse chegar a um acordo com ele, o resto pouca importância teria. Ele não tinha razão alguma para suspeitar da posição destes grandes expoentes do cristianismo, porém valeria a pena conversar com eles em particular sobre a questão. Num debate público havia muita possibilidade de ser mal entendido. Ficou claro que os judaizantes causaram alguma impressão pela sua posição corajosa e positiva em favor do judaísmo tradicional. Porém nunca mostrou Paulo maior sabedoria e perícia do que quando reuniu os que era “ de destaque“ na igreja e lhes “expôs“ o evangelho que ele pregava entre os gentios (Gálatas 2.2). Se alguém sabia o que Jesus pregara, eram estes homens. Paulo não temia um derrota. De modo algum achava que estes lhe era superiores, e nem deles recebera a sua mensagem (2.6). Tinha certeza que eles compreenderiam a sua mensagem, os que não era judaizantes. Tinha razão. “conhecendo a graça que foi dada“ a Paulo (2.9), dera-se às destras todos que, como iguais, concordavam nesta grande questão de liberdade gentia. Paulo ganhara o seu ponto. O apostolado de Paulo, assim, foi reconhecido pelos demais apóstolos, apesar de mais tarde ser atacado pelos judaizantes. Os direitos do cristianismo havia alguns irmãos medrosos nesta reunião particular, talvez alguns presbíteros que estavam prontos a sacrificar alguns pontos para não perderem os judaizantes. Paulo, porém, se opunha fortemente à idéia de ceder, em prol da paz, a estes judaizantes, que chama de “falsos irmãos“, “os quais furtivamente entraram a espiar a nossa liberdade, que temos em Cristo Jesus“ (2.4). Ficaram especialmente ofendidos pelo fato de Paulo Ter levado consigo Tito, um cristão grego, que não fora circuncidado. Ele tinha, assim, consigo uma amostra viva para ilustrar o ponto disputado. Foi proposto que o princípio poderia ser discutido melhor se Tito fosse primeiro circuncidado. Mas Paulo mantinha-se firme na sua posição e o recusou (v.5). “A verdade do evangelho“ estava em jogo no caso de Tito. A inconsistência aparente de Paulo em circuncidar a Timóteo será tratada mais adiante.

Finalmente, Paulo e os líderes chegaram a um acordo sobre uma divisão geral do trabalho. Paulo e Barnabé se dedicariam especialmente à obra entre os gentis, enquanto Tiago, Cefas e João labutariam especialmente entre os judeus. Não houve, porém, uma divisão absoluta, como o futuro mostrou. Foi dado a entender que Paulo e Barnabé continuassem a se lembrar dos pobres em Jerusalém, como vinham fazendo. Será que eles o haviam esquecido? O dia chegou quando Paulo se lembrou deste ponto com um grande coleta. Agora estavam prontos para mais uma reunião pública. Talvez concordassem sobre o programa em geral, em geral, pois tudo agora iria se desenrolar com facilidade. Que os homens em posições de responsabilidade no reino apreendam desse plano sábio!

Foi uma vitória, não uma concessão, como se pode demonstrar. Não se deve fechar os olhos à “grande discussão“ (Atos 15.7) que se deu no princípio da Segunda reunião pública. Parece que os judaizantes tiveram plena oportunidade para dizer tudo quanto quisessem. Depois de se satisfazer todo o desejo de controvérsia pública, Pedro “levantou-se“ e falou. Os judaizantes provavelmente o consideravam suspeito desde a sua experiência em Cesárea, porém, mesmo assim, não perderam a esperança de tê-lo ao seu lado. Era ele o grande orador entre os Doze, e os judaizantes provavelmente haviam tentado usar o nome dele contra Paulo, como mais tarde o fizeram em Corinto. A opinião dele devia Ter grande valho. Ele fez lembrar ao auditório que esta questão de modo algum era nova. Ele próprio já estivera perante a igreja em virtude deste mesmo ponto. Todos haviam concordado que a conversão de Cornélio fora obra do Senhor, conforme fora demonstrado pelo Dom do Espírito Santo. Ninguém havia exigido que Cornélio fosse circuncidado. Além disso, eles mesmos, como judeus, não podiam suportar este jugo da lei. Então, pôr que impô-lo aos gentios? Como judeus, ele tinham que crer tal e qual os gentios posição de Paulo. Ele e Paulo concordaram aqui, como mais tarde nas suas epístolas o fazem também, sobre as doutrinas da graça de da liberdade gentilica.

O discurso de Paulo causou uma impressão profunda. Ninguém parecia querer contradizer-lhe. Finalmente, Barnabé e Paulo (provavelmente nesta ordem), (v.12) contaram novamente a sua história, para dar alívio às mentes e aos corações dos irmãos.

Depois de mais uma pausa, Tiago, o presbítero principal e aparentemente o presidente desta conferência, levantou-se e dirigiu a palavra à assembléia (15.13-21). Todos queriam ouvir a sua opinião, pois ele era considerado puramente judaico no seu modo de ver.

Mostra que esta questão toda da chamada dos gentios foi predita nos profetas (Amós 9.11e s.). Bastou isso para ele, depois de tudo que tinham acabado de ouvir das bênçãos de Deus e o que já sabiam do trabalho de Deus em Cesárea. Ele está certo no juízo que faz da questão. Está a favor de se deixar em paz os gentios (v.189). Apresenta a sugestão para que a reunião mande uma epístola aos gentios, recomendado-lhes que se esforcem para evitar um grande pecado, ao qual estavam especialmente propensos, e que respeitem os sentimentos judaicos no tocante a mais dos assuntos. A respeito de Moisés não havia necessidade de se preocuparem. Esse problema era deveras dos judeus e não dos gentios, e aqueles tinham sinagogas (Cf. também Tiago 2.2).

Foi este um apelo poderoso, que abrangeu a questão toda e focalizou todos os assuntos. O mais maravilhoso foi que a decisão se tornou unânime em favor da resolução de Tiago, se assim se pode classificá-la (v.22). É difícil acreditar que os judaizantes votassem a favor. Provavelmente guardaram silêncio obstinado, completamente vencidos e totalmente derrotados. Concordaram com a proposta de Tiago no tocante a uma carta, e dois irmãos principais, Judas e Silas, foram nomeados, com Paulo e Barnabé, para levarem a decisão do concílio até Antioquia, Síria e Cilícia. A epístola não se apresenta na forma dum mandamento. Tiago havia empregado o termo “julgo“. A expressão “pareceu bem“ é usada na própria epístola (v.28). Eles asseveraram que tinham a liderança do Espírito Santo nas atitude vexante e arrogante dos judaizantes (v.24) e mostra bastante apreciação pelo trabalho de Paulo e Barnabé (v. 25 e ss.). Nada se exige dos crentes gentios que seja fora dos bem conhecido princípios cristãos, a não ser estas coisas “necessárias“ (v.28). A prostituição era um perigo medonho do mundo gentio, era preciso avisá-los a respeito disto (cf. também as epistolas mais adiante). A questão de carne oferecida aos ídolos não está no mesmo nível, mas em certos casos pode tornar-se um negócio muito sério (cf. I Co 10.14-22). A inclusão do “animais sufocados“ foi uma concessão ao sentimen5to judaico, da qual os gentios não poderiam queixar-se. Enfim, os gentios não se tornariam judeu. Foi esta a coisa principal. Tinham que guardar-se da prostituição e da idolatria, duas grandes tentações. Muito insignificante e relativamente pouco importante era tudo isto à luz da vitória da liberdade dos gentios para o cristianismo espiritual, tão gloriosamente conquistado.

MINISTÉRIO NO MAR EGEU (terceira viagem Missionária)

Sob diversos aspectos, esse foi o período mais importante da vida de Paulo. A província da Ásia foi evangelizada, e postos avançados do cristianismo foram lançados na Grécia. Durante esses anos, Paulo escreveu I e II Coríntios, Romanos, e talvez (ainda que não todas) algumas das chamadas es pistolas da prisão - I e II Timóteo e Tito. De Antioquia, Paulo partiu para Éfeso. Ali passou cerca de rês anos, tendo estabeleceu um dos centros mais importantes do cristianismo, a despeito da feroz oposição, movida tanto pelos judeus como pelos aderentes d a adoração à deusa Artemisa (Diana). Desse ponto, provavelmente, Paulo visitou diversas outras áreas ao redor, mas seu trabalho principal se concentrou em Éfeso. Também tornou a visitar as congregações cristãs ao redor do mar Egeu, que haviam sido anteriormente fundadas. Atravessando Trôade, Paulo chegou à Macedônia, onde escreveu a epístola chamada II Coríntios, e dali partiu para Corinto. Nessa cidade ele passou o inverno e escreveu a epístola aos Romanos, antes de continuar viagem até Mileto, um porto próximo de Éfeso.

Por essa altura, Paulo desejou subir a Jerusalém, a fim de levar auxílio aos crentes pobres dali (empobrecidos pela perseguição e pela fome), enviados pelos crentes gentílicos. A princípio ele queria ir à Síria por via marítima, mas, devido a uma armadilha que he fizeram par tirar-lhe a vida, preferiu viajar por terra, tendo atravessado a Macedônia. Dali, ele e seus companheiros de viagem tomaram um navio e velejam ao longo das costas ocidentais d Ásia Menor. Breves paradas foram efetuadas em diversos lugares, incluindo Mileto, cidade portuária de Éfeso, o que forneceu a Paulo a oportunidade de se despedir finalmente, dos crentes que ali habitavam. Finalmente, desembarcaram em Tiro, na costa da Síria. A despeito das várias advertências sobe os perigos que ele teria de enfrentar em Jerusalém, Paulo prosseguiu viagem. Paulo chegou em Jerusalém, no Pentecostes, provavelmente em cerca de 56 d.C. Sua terceira viagem missionária, por conseguinte, termino após um pouco mãos de três anos de atividades.

APRISIONAMENTO EM: CESARÉIA

Paulo em sua ligação com o Espírito sente que é necessário prosseguir (ou concluir) a sua derradeira viagem missionária, sabendo (pelo Espírito) que, tudo que te espera, são: prisões e tribulações. Sendo assim, manda chamar todos os Presbíteros de Éfeso despedindo com oração e lágrimas.

Paulo determinado a cumprir com o ministério que recebeu, é incentivado pelos discípulos que estavam e chegaram em Cesaréia que não fosse a Jerusalém. Decidido saiu rumo ao fim encontrando-se com alguns judeus radicais, que nessa ocasião não tiveram de perseguira Paulo, mas ele caiu direto na armadilha que lhe armaram. - o mais estranho é que a confusão foi provocada por alguns judeus que vinham da província da Ásia, que por acaso estavam no templo e reconheceram Paulo; levado pelas autoridades romanas por ser acusado de estar perturbando a ordem. A essa altura, Paulo fez um discurso na escadaria do templo, como era perseguidor e como se converteu. Paulo foi ameaçado de açoites, mas, informando que era cidadão romano, o tribuno militar o soltou. Mas essa ação causou tal protesto, por parte dos judeus que, para sua própria proteção, Paulo foi removido para Cesaréia, com um grupo armado. Ali Paulo foi conduzido à residência de Félix. Procurador romano. Paulo foi guardado sob sentinela, no palácio de Herodes. Aparentemente, esteve em Cesaréia pelo espaço de dois anos, e alguns crêem que ale ele escreveu a sua epístola aos Colossenses, os Efésios e a Filemom; mas uma data posterior para essa epístola é mais provável.

Após dois anos de administração malsucedida, Félix foi chamado de volta a Roma, e Pórcio Festo tomou o seu luar. Este era homem de caráter amargo. (Isso aconteceu em cerca de 58 d.C.). Quando o novo procurador se recusou a ouvir a caso de Paulo, em Jerusalém, os judeus desceram a Cesaréia, a fim de acusarem a Paulo ali. Assacaram graves acusações contra ele, mas que Paulo negou categoricamente. Foi então que Paulo apelou para César, que era direito de todos os cidadãos romanos, e dessa maneira se criou o motivo de sua viagem a Roma. Antes de partir para Roma, Paulo falou perante o rei Agripa II e sua irmã. Berenice. Esse Herodes era o bisneto de Herodes, o Grande. Nessa oportunidade, Paulo repetiu a história de sua conversão, e é óbvio que impressionou favoravelmente os que ouviram.

 

 

ROMA

Dali, viajando pelo mar, Paul o partiu para Roma, juntamente com muitos outros prisioneiros. Fizeram diversas paradas ao longo do caminho, incluindo uma permanência de três meses em Malta. Paulo chegou a Roma em 59 d.C., não como homem livre, mas, não obstante, como poderosa testemunha do cristianismo. Chegando a Roma, Paulo não foi tratado como prisioneiro no sentido ordinário, e nem como criminoso. Ali ele desfrutou do que se denominava “libera custodia”, isto é, podia viver em sua própria casa, desfrutando de muitos privilégios de liberdade de ação, mas sempre acompanhado de um guarda. Paulo pregavam àqueles que o visitavam, explicando-lhes as razões de eu aprisionamento; e também enviava epístolas a lugares distantes. Foi nesse período que, provavelmente, foram escritas as epístola aos Colossenses, aos Filemom, aos Filipenses (e, provavelmente, aos Efésios).

Algumas evidências nos indicam que é possível que Paulo tenha sido libertado em cerca de 63d d.C., e que tenha visitado a Espanha como a área do mar Egeu, uma vez mais. O livro apócrifo de Pedro (1,3 - 200 d.C.) fala de uma visita e Paulo à Espanha. As epístolas pastorais, ou pelo menos II Timóteo, parecem envolver um ministério posterior à história narrada no livro de Atos, desenvolvido no cumprir o seu desejo de visitar a Espanha, conforme expressou em Rm 15,24.

Sendo assim, Paulo recebe sem saber o motivo a sentença do segundo encarceramento que o leva a sua morte. Embora a tradição indique que ele foi aprisionado pela segunda vez, levado de volta a Roma e lançado na prisão. Sabe-se que Nero odiava os cristãos e u chegou mesmo a usar os seus jardins pessoais como local de torturas cruéis, nos quais os cristãos eram obrigados enfrentar animais ferozes. Essa perseguição rebentou em cerca de 64 d.C. Provavelmente, Paulo foi aprisionado, com mitos outros cristãos. Na qualidade de cidadão romano, é provável que tenha sido julgado por um tribunal, mas, quais tenham sido as acusações contra ele ou quais as condições do julgamento, não temos meios de saber.

Nota Particular:

“ Hesito-me em registrar minhas meras palavras enfatizando que, nenhuma palavra a respeito pode ser completa se não der ênfase ao seu misticismo. João nos dá o quadro supremo do lado místico de Jesus. Paulo revela a sua própria relação mística para com Cristo. João escreve num estilo mais calmo, enquanto Paulo se perde no “abandono“ duma devoção apaixonada para com Cristo e de uma identificação para com Ele.“

Magistral no intelecto, poderoso nos seus esforços, nobre em seu espírito, rico de coração. São as palavras maravilhosas de Paulo que hoje desafiam a atenção do mundo e chamam os homens “a conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento“ e a serem “tomados de toda a plenitude de Deus“.