O TEMPO DE NOSSA PEREGRINAÇÃO…Quanto a mim, estou sendo já oferecido por libação, e o tempo da minha partida é chegado. Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está sendo guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda.Apostolo PauloContagem regressiva para o ano novo! Ano novo, vida nova! Essa é a promessa que a maioria, senão, todas as pessoas fazem para si. Nessa virada de ano os mais diversos sonhos alimentam a fértil mente humana. Carro novo, casa nova, saúde, emprego, família mais unida, casamento, promoção no trabalho; geralmente esses são os alvos para o ano que nasce. Todavia há um pormenor que quase ninguém pensa ou cria expectativas: e a vida com Deus? Esse detalhe ainda é acompanhado de um companheiro inseparável: o senhor Tempo.É certo que o ser humano possui necessidades biológicas, psicológicas e sociais e que de certa forma quando os objetivos, que outrora foram promessas, são alcançados a realização atribui sentido para a nossa vida. Mas o mesmo companheiro Tempo que ora é amigo, ora é inimigo.Quando o apóstolo Paulo escreveu estas palavras em sua segunda carta destinada a Timóteo, um de seus discípulos, estava preso e condenado à morte. Mas… Por que refletir sobre a morte num tempo em que se deveria pensar na esperança? Porque muitas pessoas usam a esperança como uma máscara para esconder o vazio e a tristeza de sua alma. Porque muitas outras pessoas se escondem atrás dessas promessas tentando desesperadamente encontrar algum sentido em sua vida. Porque outras pessoas, ainda, entendem que somente uma realização pessoal, na família ou através da aquisição de bens materiais é tudo, não há mais nada a se desejar ou conquistar ou experimentar.É certo que as realizações, quaisquer que sejam, são importantes e ocupam o seu devido lugar nesse grau de pessoas e coisas importantes para nós, mas fazer deles a “máxima da vida” é viver na futilidade.É certo que as potencialidades da natureza criada por Deus devem ser descobertas por nós e devemos usufruir sabiamente dos benefícios encontrados na natureza e no próprio desenvolvimento científico que vise tal proposta. Mas os verdadeiros valores como o amor ao próximo, a moral e a decência, e a ética como resultados de uma vida de comunhão com Deus têm sido abandonados pela futilidade, pela idéia de que alguém é importante pelo que possui e não pelo que é: ser humano criado a imagem e semelhança de Deus.Nessa onda de violência em que temos vivido, visto, presenciado e até mesmo sido vitimados fica uma pergunta: Quanto vale uma vida? A resposta seria um celular, um tênis, uma peça de roupa, ou um prato de comida? E quanto a nossa necessidade social de sermos aceitos? Seguimos a moda para que isso aconteça? Gastamos além do que recebemos ou possuímos? Valorizamos quem possui mais ou menos? OU valorizamos uma pessoa pelo que ela é? E o que essas perguntas têm a ver com nossa reflexão? Muito simples. O Evangelho é o ensinamento dado por Jesus que nos instrui sobre nossa vida com Deus, sobre como deve ser o nosso relacionamento com Deus; e uma das instruções sobre o bom relacionamento com Deus é o amor ao próximo (Evangelho segundo Mateus 22:34 a 39). A Bíblia Sagrada nos ensina que somos peregrinos nesse mundo (1º carta do apóstolo Pedro 2:11), nos ensina que o sacrifício de Jesus em morrer em nosso lugar tem o propósito de nos reconciliar com Deus (Carta do apóstolo Paulo aos Efésios 1:9 e 10) e nos mostrar que os valores de Deus para nós são outros, tais como o amor, o respeito, a honestidade, a integridade, o cuidado de uns para com os outros, e a própria comunhão com Deus.Portanto, não sabemos quando será o fim de nossa peregrinação, mas sabemos que existem alguns pré-requisitos muitos importantes a serem praticados como demonstração de que realmente possuímos uma vida de relacionamento com Deus. (1) Combater o bom combate: significa que lutamos contra os maus valores como o desrespeito, a imoralidade, a hipocrisia, a idolatria (neste caso qualquer pessoa, animal, vegetal ou bem material que valorizamos mais do que Deus e o ser humano). Lutamos para manter a fé no genuíno evangelho sem reservas ou conivência com pensamentos ou propostas opostas ao ensinamento da Bíblia Sagrada. Acima de tudo, lutamos para não nos entregarmos à falsas paixões que nos induzem à vida vazia e a futilidade. (2) Completar a carreira: é um privilégio de poucos. Muitos são os que não compreendem o que realmente significa a graça de Deus, o favor imerecido, que não merecemos, mas Deus o faz assim mesmo. Muitos não compreendem porque Jesus deu sua vida por nós. Muitos nem sequer crêem em Jesus. Certa vez ouvi alguém dizer que estamos passando de era cristã para a era pós-cristã. Não vejo vantagem nisso! Ao contrário, se Deus não nos der de sua graça e não usar de misericórdia para perseverarmos até o fim de nossa vida, seremos consumidos (Livro das Lamentações do profeta Jeremias 3:22 e 23). (3) Guardar a fé: não sabemos a dia do fim de nossa peregrinação. Assim, como poderemos dizer “guardei a fé”? Guardar a fé é um ato que deve ser praticado diariamente. Que fé é essa? A fé em Deus e a certeza do cumprimento de todas as suas promessas e instruções, mas principalmente da presença de Deus conosco num relacionamento saudável.O tempo de nossa peregrinação pode ser longo, como pode ser curto. O importante é que se temos uma vida com Deus as demais coisas serão gradativamente acrescentadas (Evangelho segundo Mateus 6:33). Que nesse ano que se inicia possamos refletir o que realmente importa em nossa vida, ou qual o grau de relevância damos ao que já possuímos e onde está Deus ou qual o lugar em que Ele ocupa em nosso coração, para que ao fim do tempo de nossa peregrinação afirmemos com certeza: já agora a coroa da justiça me está sendo guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda.Amém!Desejo a você leitor um feliz ano novo! Que você tenha uma vida de profundo relacionamento com Deus! Leonardo Miranda Ferreira Rodrigues