O perigo de um “pacote evangélico”
Um domingo destes, participei de um culto que no final, me chamou a atenção um pedido do pastor,
pedido este que se referia o caso Isabela, (assassinato de uma garotinha de cinco anos). Tudo ocorria bem, o louvor perfeito em sua sintonia e harmonia, logo após, uma palavra maravilhosa sobre o tema: missões.
Tudo estava bem até aquele momento. Foi quando o pastor titular ao dar os avisos da semana teve sua fala interrompida por uma solicitação do preletor da noite. Em sua fala o pastor citou o caso Isabela e os noticiários dizendo que nos deveríamos orar para os pais da garotinha bem como a sua madrasta. Pois ele dizia que os mesmos já estavam sendo muito “massacrados” pela imprensa e que não havia mais necessidade para tais manifestações.
Este ato me chamou a atenção, e me deixo um tanto quanto perplexo, tenho notado nesta minha caminhada de fé que muitas são as tentativas de se padronizar os conceitos que nos cristãos deveríamos ter sobre determinadas praticas que nos cercam, aqui quero tratar como “pacote evangélico”. O que seria este “pacote evangélico?”.
São um conjunto de normas e regras de comportamento e pensamento que teríamos que ter ao aceitarmos a Cristo como salvador. Tais como não toques, não proves, não manuseie. Cristo nos libertou do poder da escravidão, e agora alguns que não respeitam a individualidade.
Querem nos tornar cativos de suas idéias e conceitos sobre aquilo que eles acham certos ou errados. Decartes, René diz uma coisa certa em sua filosofia “penso logo existo” o que quero dizer com isso? O que nos tornam pessoas individuais, ou seja alguém dentro de um universo, é o fato desta liberdade de pensamento e de expressão.
Quando olho para o Antigo Testamento e vejo o papel que os profetas desenvolveram ao longo da
história, papel este que muito mais do que profetizar a palavra de Deus sobre o povo, tiveram uma atitude fundamental que era o de denunciar toda e qualquer injustiça praticada, vejamos alguns exemplos: Natã quando repreende a Davi, alem de cometer um pecado contar Deus Davi cometera uma imoralidade social, um assassinato 2 Sm 12:7. Quando o profeta Elias repreende a Acabe por apossar de uma vinha que não era sua e o pior de tudo consentido na morte de uma pessoa 1 Rs. 21:17. E o que dizer de João batista que por condenar uma atitude imoral de Herodes que na ocasião possuía a mulher de Felipe que era seu irmão (Herodes), teve sua cabeça arrancada por tal denúncia Mc. 6:17. Diante de não somente estes exemplos aqui narrados vemos que os profetas eram pessoas que como nos que se indignavam pelas injustiças praticadas.
Tenho receio assim como o apostolo Paulo teve quando escrevia aos gálatas (Gl 5:1) que uma vez libertos da escravidão de Satanás venhamos de alguma forma sermos cativos da liberdade de pensamento e expressão. Não podendo assim manifestar a nossa indignação e nossa reprovação diante dos acontecimentos (pacote evangélico). O que esta sendo colocado é que por sermos cristãos nossa atitude seria somente de retaguarda. Ou seja, aceitar que realmente estas coisas estão por ai e não nos compete julgar.
Quando na verdade Jesus nos chamou para sermos luz, colocar as obras das trevas sobre a luz. Nos deveríamos nos indignar não somente com este caso Isabela, mas, também com a corrupção, com o tráfico, com os acidentes em rodovias, com o tratamento com as crianças e os idosos, fome no mundo, com tráfico de mulheres e tantas outras ocasiões que me faltaria espaço para manifestar. Vejo que cada dia pessoas e mais pessoas reclamam de suas vidas medíocres, mas o que elas estão fazendo para mudar este quadro? Se continuarem a viver dentro destes “pacotes evangélico” não poderão mesmos ter esperança.
Como podemos ser indiferentes às palavras de Martin Niemölle:
” Em primeiro lugar, os nazistas perseguiram os judeus, mas eu não era judeu, por isso não reagi. Depois perseguiram os católicos, mas eu não era católico, por isso não objetei. Depois perseguiram os trabalhadores, por isso não me insurgi. Depois foram contra os sacerdotes, e nessa altura era tarde de mais para quem quer que fosse se insurgir”
Nada fazer não é opção.





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